terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ibirapitanga

taubaté tremembé
tamanduateí
tabatinga taguatinga
tracunhenhem
tucuruví
toda palavra nua me tesa
como o t da tua tigresa
matisse que nunca vi


artur Gomes
http://tropicanalice.blogspot.com

a flor que alice traz na boca
não tem hóstia nem baton
é flor de lírios do cerrado
de um tom quase encarnado
meio carmim meio marron
cor dos olhos de alguém
que nunca vi numa janela
só ali pele e tecido
dentre a roupa sob pêlos
de um furor em carne viva
onde o sangue corre solto
e a pele ouro ao sol
risco de luz ao meio dia
cheirando sexo todos poros
e um estranha solidão
o teu nome
quase sempre em minha boca
como um beijo nunca findo
e o teu ser me permitindo
que entre pétalas e pedras
sangrasse o hímen da paixão

IBIRAPITANGA

hoje vi na rua a palavra
ibirapitanga que eu não conhecia
e mesmo não a conhecendo
já sabia que existia

assim como: ibirapitinga
ibiratininga
annhangabaú anhanguera
araraquara jabaquara
Ibirapuera

leia aqui:
http://goytacacity.blogspot.com

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ibirapitanga



hoje vi na rua a palavra
ibirapitanga
que eu não conhecia
e mesmo não a conhecendo
já sabia que existia

como ibiratininga
ibirapitininga
ipiranga
pacaembu
ibirapuera
anhangabaú

anhangüera
araraquara

jabaquara
itaquera

não sei se é tupy
não sei se guarani
guarani tupy
tupy guarani

cangaíba

cambaíba
tupinambá
guriri
puri
guaicurus
guarulhos
guaianases
goytacá

palavra mansa
ou besta fera
piracicaba
pirapitanga
pirapora
abatimirim
amendoim
araçá
araçatuba
aymorés
guaporé
ibiraçu
araguaia araguari
arara
araruama
avaré
barueri
boitatá
butantã
ou boissucanga


assim como tamoio
tapajós
carijós
taubaté
tupiniquim
tremembé

votuporanga

embu guaçu
grumari
guaçutinga
guaiapá
guaiaruna
guapimirim
guará
guarabira
guaraci
guaraciaba
guarapiranga
guararema
guaratinga
guaratinguetá
guaraná
guarapari
guauarujá


ibiraci
ibirapiroca
ibirataíba
ibiratinga
ibiri
ibitiba
ibitinga
ibituruna
imbé
imburi
ingá
inhambu
ipanema
ipatinga
ibiporanga
ibitioca

iriri
itaberaba
itabira
itaboraí
itacolomi
itacolomi
itacuã
itajaí
itanhaém
itapecerica
itapema
itapevi
itapoá – itapuã
itaquaquecetuba
itabapuana
itereré
itu
ituberaba
ituverava

Japira
Jabuti
jabuticaba
jacareí
Jaci
jacira
jaçanã
jacutinga
japi
jararaca
jatobá
juá
juciara
jundiaí
Jupiá
Jupira
jequié
juquiá
juréia
jurema
jurupi
jussara

mandioca
macunaíma
sagaranagem fulinaíma
maniçoba
mairiporã
manga
mangaba
maracanã
marajó marajoara
moema
mogi
monguaguá
muiraquitã
muriaé
itaocara

maniçoba

paçoca
paquetá
paraguassu
paraitinga
paraná
paranapanema
paranapiacaba
parati
parnaíba
peruíbe
pindaíba
pindamonhangaba
piracaá
piracajara
piracanjuba
piracatinga
piranga
pirassununga
pitinga
piriri
piririca
pirigua
purus
peri
pracará
quipari
roraima

saci
sapucaia
saracura
saracutinga
siri
sorocaba
sucuri
surubim
surucucu
suruí-aiqueuara

tabatinga
taguatinga
tapera
tararaca
tarumã
tatuí
tocantins
tucunaré

ubatuba
ubirajara
urubu
urutu
ururaí
utinga
xavante
xingu
aymorés
tumiaru
tibiriçá

aracatu
aracati
araquari
araçá araci

bertioga
bariri
bicuibaçu
biguá
birigui
biriba
boiçununga
boiutuçu
surucucu
cacomanga

caingangue
caipira
sucupira
caipora
capixaba
cambuci
cairu
caraguatatuba
carajás
carapicuíba
caratinga
carangola

congonhas
carioca
cubatão
copacabana
cumbica
curitiba
cururu
caatingacaicanga
caipóou mar de angra
cariri caicócaramuru
cajurus e
cataguases

eu sei que sou das minas
como sou dos goytacazes.

artur gomes
nação goytacá
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Poeta e sua Bela Musa Atriz







Artur Gomes & Mayara Pasquetti


Beatriz e o Poeta


Artur Gomes & Mayara Pasquetti Jura Não Secreta


Artur Gomes & Mayara Pasquetti Fulinaimagem


Cena do Primeiro Encontro


O que é que mora em tua boca bia

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Poéticas Áudio Visuais

O vôo dos albatrozes


Albatrozes na costa da lagoa


Na costa da lagoa


Travessia da lagoa da conceição


A montanha bêbada


Praia de Moçambique


Areal da costa de Moçambique

domingo, 4 de outubro de 2009



http://www.myspace.com/317911079








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terça-feira, 29 de setembro de 2009



XVII Congresso Brasileiro de Poesia
Bento Gonçalves – Rio Grande do Sul
5 a 10 outubro 2009
As Flores do Mal Me Quer
De Paulo Leminski a Charles Baudelaire










Jura Secreta 41


te amo e amor não tem nome
pele ou sobrenome
não adianta chamar
porque ele não vem quando se quer
tem seus próprios códigos e segredos
mas não tenha medo
pode sangrar pode doer
e ferir fundo
mas é razão de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo mesmo breve
porque te amo no sol
no sal no mar na neve

Artur Gomes
Nação Goytacá
http://goytacity.blogspot.com/

PÃO E CIRCO

Antigamente eu chegava a montar três espetáculos por ano. Ultimamente monto um a cada três. Segundo Yve, quando alguém fica falando do passado é porque está velho. Posso até estar velho, mas não é isso que me faz falar do antigamente. Assim como Paulo, adoro a minha profissão, mas não sinto mais prazer em exercitá-la. Assim como Paulo, dei minha vida ao meu mister... e cansei. Não dá para sentir prazer convivendo com quem não nos ama. Eu amo esta cidade, mas a recíproca não é verdadeira. Não só a mim, mas aos artistas de um modo geral. As reflexões de Adriano sobre o desprazer de ensinar vão ao encontro do contexto cultural em que vivemos. Não por culpa deste ou daquele governo, mas o paradigma neoliberal levou o ser humano ao máximo da comunicação para não se comunicar. E neste contexto a arte não tem vez. Assim como Paulo, nós artistas vivemos uma situação caótica. Estou velho sim, de futuro... Mas persisto.

Estas foram as minhas palavras para o programa da peça “Meu Querido Diário”. Como era de se esperar, dos poucos que a ele tiveram acesso, a maioria não se importou. Uns gostaram, outros se surpreenderam, pois não esperavam que eu fosse capaz de ter esse sentimento com relação à cidade. Alguns outros acharam que eu peguei pesado, que passei recibo. Peguei pesado com quem, com o quê, se a realidade dos fatos só faz corroborar as palavras acima? Se o público pagante foi tão escasso que nem deu pra cobrir as despesas contraídas com a montagem, quanto mais ter lucro? Todo mundo parabe-nizou, elogiou, se ufanou, até, de nos ter como conhecidos. Mas passar na bilheteria do teatro, adquirir seu ingresso e assistir ao espetáculo, que é bom, nada. Disto, a grande maioria dos que se dizem amigos, ou mesmo fãs, não foi capaz. E muitos dos convidados só compareceram depois de muita insistência. E olha que o espetáculo, elogiadíssimo pela crítica, é uma comédia pra lá de hilária.

“O campista pede, mas não quer”, me disse Silvinha Salgado após assisti-lo. É fato! Pedir, para o campista, não passa de uma força de expressão, pois tudo o que realmente quer ele tem. Só que o que ele verdadeiramente tem é que é a questão. Podemos perceber pela felicidade transparente que lota os bares da cidade, dos sofisticados aos periféricos, que o campista está muito satisfeito com o que possui. Que vive qual criança num playground, que adora ser personagem de um teatro de fantoches. Onde o lazer cultural se faz desnecessário, na medida em que fazem de sua vida uma farsa. “Meu Deus, de onde essa gente tira tanta felicidade”, diz em determinado momento o personagem da peça, ao relatar a passagem de um trio elétrico arrastando uma multidão, que mais parece uma fuga em massa num filme catástrofe. Assim fomos acostumados. E prenhes de felicidade entendemos a ida ao teatro como desnecessária. Parece até que aquela campanha “Vá ao teatro” aqui foi cunhada ao contrário.

No último domingo de apresentação da peça, uma professora de um colégio estadual me questionou sobre o que eu havia escrito no programa. Tentava me convencer de que o ato de amar se basta em si. Que amar não precisa, necessariamente, de correspondência, e que educar é um ato de amor. Contrargumentando fiz vê-la que amar sem correspondência é sofrimento e se este sofrer gera prazer é masoquismo. Perguntei-lhe há quanto tempo ela dava aula, ela respondeu-me que há muito e que estava cansada de ir pra sala de aula, que ia obrigada e que não via a hora de se aposentar. Respondi-lhe que a minha situação era idêntica e por isso escrevi o que escrevi, e que após a peça voltaríamos a conversar. Reparei que ela riu muito ao se ver refletida no palco, mas nem participar do debate ela participou. O texto de Adriano provocara-lhe um riso nervoso e quem sabe uma revisão no seu conceito sobre o ato de amar, pois saiu do teatro sem que eu ao menos percebesse.

Até o momento, apenas duas montagens locais inéditas ocorreram este ano na cidade. Enquanto que semanalmente uma enxurrada de espetáculos caça-níqueis, integrados por elencos oriundos de “Zorra Total” ocupa o Trianon, com sucesso de público, é claro. Se é isto que o povo quer, é o que temos que dá-lo, como na velha Roma: pão e circo. “Infelizmente”, quando optei pelo teatro como profissão, o entendi como arte, como um meio de expressar meu sentimento do mundo, e não como uma possibilidade de se ganhar dinheiro através do riso fácil e alienante. O fiz consciente, de que seria a minha tribuna, a minha trincheira e também uma forma de propiciar prazer às pessoas. Mas se não é esta a sua missão, se com ele não posso contribuir para o crescimento da minha aldeia, chego à conclusão tardia de que escolhi a profissão errada. Mas como agora é tarde, persisto.

Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi)

sábado, 26 de setembro de 2009

Ação Corporal: Matéria do Ator
Roberto Mallet

Quem é mais artista do que o ator? A matéria plástica a que ele imprime a sua concepção, o seu sentimento criador, não é menos digna do que o mármore, por ser o conjunto das expressões humanas.(Joaquim Nabuco, Escritos e Discursos Literários, p. 40)

A obra de arte é uma complexa composição de forma e matéria. A maneira mais simples de ver isto é no clássico exemplo do oleiro, que imprime a forma do vaso na argila.

Matéria é tudo aquilo de que alguma coisa é feita. Um quadro de Picasso é feito, digamos, de madeira, tecido, tintas. Uma sinfonia de Beethoven é feita dos sons dos diversos instrumentos e das execuções dos músicos. Um filme de película e de luz. (1)

Forma é a maneira como a matéria é organizada, sua estrutura. É uma forma o que o escultor imprime ao bronze. São formas o que Picasso inscreve com tinta em suas telas. A disposição das palavras é a forma do poema. De outro ponto de vista ela é o princípio estrutural da obra (a concepção, a idéia – eidos). A forma não é uma figura estanque; ela tem um dinamismo interno que organiza a matéria conformando assim a obra.

E no caso do ator? O que é matéria e o que é forma na atuação?

A matéria do ator é fundamentalmente seu próprio corpo. As ações que ele realiza conformam esse corpo.

Sua matéria é um organismo vivo, composto por tecidos e órgãos, com um cérebro capaz de armazenar e processar um número incalculável de informações. Por não ser exterior ao ator – ao contrário, o corpo é o próprio ator –, essa materialidade está em constante interação com o psiquismo. Um movimento corporal terá ressonâncias na memória e nos sentimentos, assim como uma lembrança ou um pressentimento têm ressonâncias corpóreas.

A forma de uma atuação é a composição das diversas ações realizadas. É a estrutura de tensões e relaxamentos musculares, o jogo de vetores e contra-vetores que o ator executa com seu corpo, e que resultam em um texto legível.

Podemos, numa outra instância, considerar todas as possibilidades de ação corporal como matéria para o ator. Essa ação, que era forma no extrato anterior, faz parte agora de um novo composto, o corpo agindo, que passa a servir de matéria para a criação poética (2). As diversas maneiras de olhar, por exemplo, apresentam-se ao ator como opções para a composição da cena.

Ao realizar uma dessas possibilidades no contexto da cena, ele cria uma nova forma, agora no plano ficcional.

O primeiro extrato é concreto, o segundo abstrato; as ações do ator pertencem ao primeiro, as da persona (3) ao segundo. Fazendo uma analogia com a literatura, as ações corporais correspondem às palavras, as ações ficcionais ao significado.

Quando por exemplo um ator representa Otelo assassinando Desdêmona, o que acontece concretamente é uma série de movimentos e tensões realizados pelo corpo do ator em relação com a atriz e com a corporalidade da cena como um todo. O assassinato de Desdêmona (e todas as “realidades psíquicas” que o acompanham) se dá num plano ficcional, espectral. Ou, dito de outra maneira, o assassinato se dá concretamente na imaginação dos artistas e dos espectadores envolvidos na representação.

A forma da obra do ator é então, do ponto de vista da encenação, a composição das ações ficcionais realizadas pela persona; do ponto de vista da atuação a composição das ações corporais realizadas pelo próprio ator ao longo da encenação.

Uma vez que a atuação (como todas as artes espetaculares) só existe enquanto está sendo realizada diante de um público, a sua materialidade não se limita às ações corporais – ela inclui a própria pessoa do ator. O que o espectador vê não é apenas a persona agindo. Ele vê o ator “jogando” (realizando) essa ação dentro do contexto poético. E vê ainda a relação pessoal que o ator estabelece com a poética e com o conteúdo da obra, vê o sentido que ela faz para ele.
A arte da representação é reveladora. Todo ação realizada em cena nos fala não apenas dela mesma; ela também nos fala do homem que realiza essa ação. O ofício do ator é, como dizia Dostoiévski do seu ofício de escritor, “mostrar o homem no homem”. Através da ação.

* Publicado na Revista do 17º Festival Universitário de Teatro de Blumenau, 2004, págs. 47-48. [volta]

(1) Esta noção de matéria corresponde ao que Fayga Ostrower chama de materialidade: “Usamos o termo MATERIALIDADE, em vez de matéria, para abranger não somente alguma substância, e sim tudo o que está sendo formado e transformado pelo homem. Se o pedreiro trabalha com pedras, o filósofo lida com pensamentos, o matemático com conceitos, o músico com sons e formas de tempo, o psicólogo com estados afetivos, e assim por diante. Usamos o termo na qualificação corrente “natureza do que é material” (...), ampliando contudo o sentido de ‘material’.”

(OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. Imago Ed. Ltda., Rio de Janeiro, 1957, pág. 31-2. Os grifos estão no original.) [volta]

(2) Portanto todo treinamento é, por um lado, desenvolvimento e aprimoramento da ação poética, e por outro criação de um repertório que servirá de matéria para a criação da cena. [volta]

(3) Utilizo persona em vez de personagem pela associação imediata deste último termo com o gênero realista. [volta]